Jun 5, 2013

Território - Um seguro contra as ameaças à nossa biodiversidade

noticia publicada por Café Portugal  :: Sara Pelicano;  quinta-feira, 30 de Maio de 2013

No Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa, as espécies autóctones da flora portuguesa repousam em viveiros que dão continuidade a este património natural. As sementes, recolhidas em todo o país, são depois estudadas e reproduzidas, garantindo a continuidade das espécies melhor adaptadas ao território nacional. Um seguro para a nossa biodiversidade.
  Em Portugal existem variadíssimas espécies autóctones, ou seja originárias do território que habitam. Entre elas está o medronheiro, a urze, a giesta, a alfarrobeira. Todas elas trazem vantagens à biodiversidade, em relação a espécies introduzidas. Isto porque são mais adaptadas ao território e por isso mais resistentes a pragas, doenças e a condições atmosféricas adversas, como longos períodos de calor e de chuva. Além das mais-valias ambientais compõem património genético e natural.
  A continuação destas espécies depende, em parte, da existência de sementes. O estudo, melhoramento e reprodução das sementes é a área de trabalho da Sigmetum, entidade que se dedica à recolha, estudo e preservação das plantas autóctones portuguesas. Um contributo à sua continuidade.
«A utilização destas espécies tem inúmeras vantagens, visto que possuem uma maior capacidade de adaptação ao meio, requerem menos factores de produção e de manutenção, bem como contribuem para a sustentabilidade desejada e para a preservação da paisagem natural e da sua biodiversidade», adianta Filipe Soares, responsável pela empresa.
  No Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa, Filipe Soares, e a sua equipa de cinco pessoas, cuidam dos viveiros onde reproduzem as espécies do território português tendo sempre em conta a investigação para uma «produção sustentada».
«Fazemos experimentação de produção por via seminal, ou seja, exploração de várias técnicas de tratamento e propagação de sementes, garantido e testando as condições ideais de produção de espécies autóctones», explica Filipe.
  Ecologia, botânica, fitossociologia são algumas das áreas de estudo das plantas e que a Sigmetum aplica diariamente, associando os conceitos académicos «a um minucioso trabalho de campo, que inclui o levantamento de espécies originárias de bosques, arribas, dunas, estuários, charnecas, matagais e outros locais por todo o país».
  Deste trabalho resulta a garantia da origem das sementes e a sua preservação. A Sigmetum tenta assim dar resposta à necessidade «de prestar mais atenção à biodiversidade, ecologia, e à sustentabilidade das espécies vegetais, na resposta a projectos de arquitectura paisagista, recuperação ambiental, e outros», evitando-se assim o recurso a espécies introduzidas, ou seja importadas de outros territórios.